Notícia

O Ministério de Música na comunidade Doce Mãe de Deus

Imagem: Comunicação DMD

“Transbordam palavras sublimes do meu coração. Ao rei dedico o meu canto. Minha língua é como o estilo de um ágil escriba”. (Sl 44, 2)

A música é a arte que combina e exprime harmoniosamente os sons, portanto, o ministério de música é aquele que se utiliza dessa arte para exercer sua função dentro do mistério da salvação.

Como nos ensina o Papa Pio XII na sua Carta Encíclica Musicae Sacrae Disciplina:

Entre os muitos e grandes dons de natureza com que Deus, em quem há harmonia de perfeita concórdia e suma coerência, enriqueceu o homem, criado à sua imagem e semelhança, deve-se incluir a música, que, juntamente com as outras artes liberais, contribui para o gozo espiritual e para o deleite da alma”.(Musicae Sacrae Disciplina, 2).

A música é mencionada logo no início da bíblia. A primeira referência é de “Jubal”, pai de todos aqueles que tocam a cítara e os instrumentos de sopro  (cf. Gn 4, 21). Essa descrição de um músico, tão cedo na história, mostra a sua importância. Ele tem uma posição igual à de seus irmãos Jabel, pastor de rebanho, e Tubal-Caim, ferreiro.

A composição de música é reconhecida entre as profissões mais antiga dos povos. O chifre do carneiro (shofar) era um instrumento antigo do povo judeu e sinalizava eventos importantes. Mais adiante, na história bíblica, depois que a música se tornou uma parte principal na adoração no templo, ganhou um significado especial.

Mas, o que diremos a respeito de ser um Ministro de Música dentro do carisma Doce Mãe de Deus?

Se já é uma graça recebermos de Deus talentos próprios que exalam o dom da musicalidade, imagine transbordar isso dentro de uma graça particular, que chamamos de carisma, de uma vocação específica. “A Comunidade Doce Mãe de Deus não é só um desejo humano, é uma graça, um presente de Deus que surge como resposta do Evangelho de Cristo aos dias atuais.” (Est. DMD art. 02 §1)

Somos portadores de uma mensagem que leva o ser Doce Mãe de Deus, se enraíza na nossa identidade e nos leva a vivermos o que esse carisma é no mundo, cuja origem está no coração de Deus.

A graça que o Senhor reservou para nós é muito grande: Ser testemunha do mistério da salvação de Cristo pelo amor da Santa Cruz! (Est. DMD art. 07 §2)

 Eis o nosso canto!

Essa é a nossa mensagem de reconciliação do mundo com Deus. Ele nos amou de forma extrema na cruz, nos dando a Virgem Maria como sua e mãe e se dando como alimento para a salvação da humanidade.

Lembro que quanto mais cantarmos a verdade que nos identifica, mais seremos fiéis ao nosso chamado, e autênticos portadores da graça que recebemos.

O Ministro de Música Doce Mãe de Deus é chamado a ser essa voz, que exalta a grandeza de Deus, que expressa o seu canto pelas vitórias que o Senhor realizou na sua vida e na vida do seu povo. Chamado também a levar todos os homens a derramar seu coração e reconhecer que sem Deus nada pode.

No nosso canto há um lugar especial para a Virgem Maria. Com ela, o ministro de música celebra com o cântico do Magníficat, as maravilhas que Deus realizou. Esse cântico é a resposta da Virgem ao mistério da Anunciação: o anjo convidou-a a alegrar-se; agora Maria expressa o júbilo de seu espírito em Deus, seu salvador.

É por isso que o cântico de Maria é, ao mesmo tempo, o cântico da Mãe de Deus e o da Igreja, cântico da Filha de Sião e do novo povo de Deus, cântico de ação de graças pela plenitude de graças derramadas na economia da salvação, cântico dos «pobres», cuja esperança se vê satisfeita pelo cumprimento das promessas feitas aos nossos pais, «em favor de Abraão e da sua descendência, para sempre»” (CIC 2619).

O ministro de música Doce Mãe de Deus é chamado a cantar eternamente ao Cordeiro de Deus, porque diante Dele e, para sempre, iremos cantar a Sua glória e dizermos que Ele é três vezes Santo.

O Apocalipse de São João, lido na liturgia da Igreja, revela-nos primeiro que “um trono estava erguido no céu e Um sentado no trono” (Ap. 4,2): Este podemos dizer que é o Senhor Deus. Depois logo revela o Cordeiro, “imolado e de pé” (Ap 5,6), Este é o Cristo crucificado e ressuscitado, o único Sumo Sacerdote do santuário verdadeiro, o mesmo “que oferece e que é oferecido, que dá e que é dado”, isto podemos ouvir nas palavras da Consagração “que será dado por vós e por muitos para a remissão dos pecados”. E por último, revela “o rio da Vida que brota do trono de Deus e do Cordeiro” (Ap 22,1), um dos mais belos símbolos do Espírito Santo”. (CIC 1137)

São João Paulo II dizia que a Missa é o céu na terra, e explicou que a liturgia que celebramos na terra é uma misteriosa participação na liturgia celeste. Na missa, já estamos no céu. Portanto diante de Jesus Eucarístico, antecipemos a maravilhosa experiência do que viveremos para sempre no céu adorando “Àquele que é, que era e que há de vir(Ap 1, 8).

Adriano Alves
Missionário Doce Mãe de Deus e Ministro de música