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Solenidade de Todos os Santos: uma vocação para todos

Imagem: Internet

A Igreja do Brasil celebra neste domingo a solenidade de Todos os Santos. Momento ímpar para que todos os cristãos renovem suas promessas batismais e a vocação, a qual Deus em sua infinita misericórdia os chamou.

Esta solenidade teve seu início desde os primórdios do cristianismo, mais especificamente no século II, onde os cristãos celebravam a memória dos mártires conhecidos e desconhecidos. Mais tarde no século VII, o papa Bonifácio IV oficializa a solenidade, dedicando o templo pagão romano Panteão a todos os santos, numa forma de cristianizar a mente politeísta romana. Logo após, no seculo VIII, o papa Gregório III muda a data para 1º de novembro, dedicando uma capela a todos os santos.

Olhando pela ótica da fé, cremos que pelo batismo, fomos chamados à santidade

“Os cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Todos são chamados à santidade: Sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito (Mt 5, 48). Para alcançar esta perfeição, empreguem os fiéis as forças recebidas segundo a medida em que Cristo as dá, a fim de que […] obedecendo em tudo à vontade do Pai, se consagrem com toda a alma à glória do Senhor e ao serviço do próximo. Assim crescerá em frutos abundantes a santidade do povo de Deus, como patentemente se manifesta na história da Igreja, com a vida de tantos santos.” (CIC §2013).

Esta é a mais alta vontade de Deus: sermos santos. Graça esta que é unicamente de Deus, mas que é concedida a seus filhos. Somos coparticipantes deste mistério de amor e só pelo amor a Deus que a alcançamos.

Ao logo da história da igreja, vemos pessoas que levaram esse chamado na radicalidade, e alcançaram a coroa da santidade independente de sua vocação particular. Quantos papas, bispos, padres, consagrados (as), virgens, mártires, esposos (as), crianças, jovens, idosos, souberam escutar e perseverar na constância da fé no Cristo. O santo, como falava São João Paulo II, “é aquele que deixa marca de céu na humanidade”. Com suas particularidades e irrepetibilidade foram um bálsamo na humanidade ferida pelo pecado, eles que também foram pecadores. Eles com sua forma de ser, foram felizes pois encontraram o real sentido da vida e do existir, claro que sem deixar as cruzes da vida. Não foram polpados dos sofrimentos, das doenças,das tristezas e das crises de fé. Deus sabe como poldar, educar e santificar seus filhos amados.

Vivemos hoje numa neo-paganização dos valores base de nossa sociedade e até mesmo de nossa fé, o que nos leva a cairmos na infeliz dúvida quanto à impossibilidade do ser santo. A resposta de Deus a esta pergunta é sempre bela: a cada instante manda santos, para cada geração, como prova de que é possível sim.

Santos: Uma resposta para cada tempo

Quem não se encanta com a história do jovem de Assis? Ou com as experiências místicas de São João da Cruz? Quem não fica perplexo com a vida de padre Pio de Pietrelcina, no qual, até a ciência reverencia? Ou se identifica com a pequenês de Terezinha de Lisieux? Com a eloquência dos primeiros mártires ou com o vigor apostólico? Quantos jovens de nossos dias não se identificam com a beata Chiara Luce ou o beato Pier Giorgio? Quem não se sentiu orfão com a morte de João Paulo II e logo após sentimos que tínhamos um pai e um amigo no céu ao procamá-lo santo.

Sim, cada geração necessita do testemunho de algum santo e é interessante como isto nos atrai, porque é uma marca que está em nós. É nossa identidade e vocação mais profunda e isso ninguém pode apagar. É possível ser santo, sim! Podem se mudar valores, tempos, sistemas, mas evangelho não, a vontade de Deus não. Podemos ser grandes pecadores, mas não podemos apagar e cancelar esse chamado de Deus em nós.

Outra graça que temos que lembrar com esta solenidade é a comunhão dos santos (communio sanctorum), onde a igreja gloriosa (os santos de Deus) intercedem por nossas vidas (igreja militante) e pelas almas do purgatório (igreja padecente) para que assim possamos, nós também, chegarmos à Glória eterna. São irmãos que ajudam irmãos. Não estamos sós, há grandes amigos que pedem graças de Deus para nós. Ficamos ainda mais próximos desta realidade quando celebramos a Eucaristia, centro de nossas vidas.

Irmãos e irmãs, que não se apague em nós a chama de nossa vocação primeira da santidade. Que tenhamos as lamparinas sempre cheias para esperarmos até o momento oportuno da vinda de Nosso senhor Jesus, pois essa é a nossa esperança como cristãos, este é o grande motivo de nossas lutas, alegrias e tristezas. Celebrar esta solenidade, faça renascer em nós essa tão grande esperança do céu de Deus.

Peçamos, sem cessar, a Deus, o Santo dos santos, a graça da santidade, na certeza de que não caminhamos sós, mas há legiões de santos a caminhar conosco e com eles a Santíssima Virgem Maria, porta por onde todos os santos entraram no céu.

Santos e santas de Deus, rogai por nós!

Jucelino Carvalho de Sousa
Seminarista e Missionário Doce Mãe de Deus