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Novo Testamento: Anúncio alegre da Boa Notícia

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É verdade que a Bíblia é o livro mais lido em todo o mundo. Nela, está contida a palavra de Deus escrita sob a inspiração do Espírito Santo, que nos transmite a revelação Divina com todo o seu projeto salvífico, para cada homem, em todos os tempos. De modo maior, é no Novo Testamento, que se manifesta a plenitude desta Revelação, uma vez que o objeto central dos livros neotestamentários é “Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado, os seus atos, os seus ensinamentos, a sua Paixão e glorificação, bem como os primórdios da sua Igreja sob a ação do Espírito Santo” (CIC, n. 124).

A partir disso, é relevante tratarmos aqui, do Novo Testamento, sua importância, sua mensagem central e seu sentido para todos os homens, em especial para nós, cristãos.

Anúncio da Boa Notícia

O Catecismo da Igreja Católica (n. 108) nos ensina que “a fé cristã não é uma religião do Livro, mas a religião da Palavra de Deus. Não de uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo. De fato, o Novo Testamento anuncia que a Salvação chegou até nós, a luz brilhou nas trevas, “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14). E ainda, “Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva” (Gl 4, 4-5).

É verdade que a primeira geração de cristãos não tinha ainda um Novo Testamento escrito, e o próprio Neotestamento atesta o processo desse anúncio na Tradição viva da Igreja. Após a ascensão de nosso Senhor, os Apóstolos anunciavam oralmente aos judeus e em seguida aos pagãos que Deus amou tanto os homens e o mundo, que nos deu o seu próprio Filho para a remissão de nossos pecados (1Jo 4, 10). Mas, ainda no primeiro século da Igreja, os livros Neotestamentários que comporiam o Cânon, já começavam a serem escritos de modo inspirado, sendo o cumprimento das prefigurações do Antigo Testamento.

De fato, o Novo Testamento é sumamente importante para se compreender e interpretar o Antigo Testamento, pois este, já trazia em si, o germe da Boa Nova. Por isso, eles têm uma relação de completude como nos sugere um velho adágio “O Novo Testamento está oculto no Antigo, enquanto o Antigo é desvendado no Novo” (Sto. Agostinho).

O verbo se fez carne

A chave de leitura para ambos os Testamentos, é a pessoa do Filho. É Nele, que compreendemos as Escrituras e, pela fé, aceitamos a salvação e o amor do Pai. Não é por acaso, que o coração do Novo Testamento como o de toda a Bíblia, são os quatro Evangelhos, Mateus, Marcos, Lucas e João. A própria Igreja afirma categoricamente que eles transmitem fielmente as coisas que Jesus, Filho de Deus, fez e ensinou para salvação eterna dos homens, durante a sua vida terrena, até ao dia em que ascendeu aos Céus (CIC, n. 126).

Não é sem fundamento acreditar, portanto, que a leitura assídua e orante dos evangelhos sob a luz do Espírito Santo, leva-nos a um verdadeiro e íntimo encontro pessoal com Jesus Cristo. Assim nos indica a santa de Lisieux: “É, sobretudo o Evangelho que me ocupa durante as minhas orações. Nele encontro tudo o que é necessário à minha pobre alma. Nele descubro sempre novas luzes, sentidos escondidos e misteriosos” (Sta. Teresinha).

A alegria do anúncio do Verbo Encarnado

Eis a síntese do que falamos até aqui, o verdadeiro sentido do Novo Testamento para os homens de todas as épocas e lugares: a alegria de receber tamanho anúncio de esperança. Como costumamos cantar em uma música natalina da Comunidade Doce Mãe de Deus: “O Amor se encarnou e nasceu em Belém o Consolo, a Justiça, a Paz e o Bem” (Autoria: padre José André).

 Nestes dias, de sociedades evoluídas intelectual e tecnologicamente, deparamo-nos paradoxalmente com um mundo marcado por guerras e injustiças, além de homens e mulheres sem sentido de vida, sem expectativas e sem esperanças. É neste caminho doloroso, que percorre o homem moderno, que o Novo Testamento anuncia a boa notícia da salvação, já prefigurada no Antigo.

O próprio Papa Francisco nos fala que, para reencontrarmos a alegria de viver, faz-se necessário a experiência com o Cristo Ressuscitado presente nas Escrituras, sobretudo nos Evangelhos. “Ele permite-nos levantar a cabeça e recomeçar, com uma ternura que nunca nos defrauda e sempre nos pode restituir a alegria. Não fujamos da ressurreição de Jesus” (Evangelium Gaudium, n. 3)

“Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!” (Fl 4,4). Que essa exortação de São Paulo possa impelir nosso coração a inclinar-se na meditação do Novo Testamento, em especial, dos Evangelhos, a fim de encontrarmos o motivo da verdadeira e eterna Alegria: Jesus Cristo, Filho de Deus nosso Pai e de Maria, nossa mãe.

Eloi Raimundo Júnior
Missionário e Seminarista Doce Mãe de Deus