Notícia

Clara, uma vida que irradia

Aos 12 anos, após fazer uma profunda experiência do amor de Deus, entendia que só havia uma forma para “pagar” tamanho amor, dando minha vida por inteiro. Porém, uma pergunta era forte dentro do meu coração: Como e Quando? Eu era menor de idade, e meus pais nem aprovavam minha decisão naquela época. O chamado era precoce, mas lúcido de que tinha que entregar minha vida inteiramente a Deus, ao Reino, ao Carisma Doce Mãe de Deus.

Então, chegou em minhas mãos um livro, que contava a história de santa Clara, de Rina Maria Pierazzi, “Clara, a companheira de Francisco”. Devorei esse livro em poucos dias, porque a vida de Clara me instigava, me encantava, e me fazia desejar amar a Deus ainda mais.

Lembro-me que naqueles seis anos até alcançar a maioridade, meu caminho vocacional foi inteiro percorrido pela figura da plantinha de Assis. Meu coração acelerava quando lia, nas páginas de Pierazzi, a cerca da fuga noturna de Santa Clara para a Igreja de São Damião, onde ela seria tonsurada, ou seja, onde seus cabelos foram cortados como sinal de sua entrega a Deus. Ali eu dizia pra Deus: Senhor, seja quando for, mas me dê a decisão, que fez com que Clara saísse do conforto de sua casa paterna, e fosse ao encontro da Dama Pobreza, para com ela alcançar o teu coração.

A comunidade Doce Mãe de Deus sempre olhou para Francisco e Clara como exemplos, que nos mostram que, é possível a radicalidade evangélica, numa vida em comum, nos tempos atuais. De modo especial, aprendemos o amor a Cristo pobre e aos necessitados, a adoração e o zelo a Jesus Eucarístico, a obediência a Igreja, a fidelidade ao Carisma, e o louvor a Deus.

Hoje é o que chamamos de “Noite feliz”, pois nos remete aquela “noite feliz” do nascimento de Jesus, que brilhava em grandeza mais do que um dia. Nesta noite, celebramos a entrega de compromissos definitivos no celibato de muitas missionárias DMD, assim como de admissões ao Discipulado e celebrações comunitárias de consagração, pois muitos de nós, olhamos pra vida de Clara e encontramos uma intercessão generosa para que correspondamos a vontade de Deus em nossas vocações.

Eu tive a graça de fazer meus primeiros compromissos temporários de consagração no dia de santa Clara em 2009, e não tem como não celebrar, com grandeza de alma, dizer sim no dia em que Clara disse seu sim definitivo, entregando sua alma a Deus, e que a Igreja assim conservou em sua memória litúrgica.

Pedimos hoje como comunidade, que os rogos de santa Clara alcance todos os membros deste Carisma para que por mais uma noite feliz, celebremos a renovação do nosso Sim, que não foi a uma pessoa ou a obra de Deus, mas a Ele mesmo, que como Clara nos ensina: é, e Basta!

Heraldo Luís de A. B. Lima
Missionário na comunidade de vida Doce Mãe de Deus