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Dogmas Marianos: Maria, Sempre Virgem

Foto: Internet

No mês de maio de cada ano celebramos de forma mais intensa a bem aventurada e sempre Virgem Maria. Não que se encerre aí todo nosso afeto e amor pela Mãe de Deus, até porque todo o ano litúrgico está recheado de solenidades voltadas às virtudes da Virgem Maria.
Sabemos que a Igreja, de forma oficial e dogmática, dá a Nossa Senhora quatro títulos nos quais revela toda à sua íntima relação com o seu Filho Jesus, Nosso Senhor e Salvador do Mundo, títulos esses que são:

– Maria, Mãe de Deus
– Perpétua Virgindade de Maria
– Imaculada Conceição de Maria
– Assunção de Maria

Iremos abordar o título de Maria sempre Virgem, antes, durante e depois do parto, ou seja, a sua perpétua virgindade.
O Catecismo da Igreja Católica no parágrafo 499 nos diz:

“O aprofundamento de sua fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a virgindade real e perpétua de Maria, mesmo no parto do Filho de Deus feito homem. Com efeito, o nascimento de Cristo “não lhe diminuiu, mas sagrou a integridade virginal” de sua mãe. A Liturgia da Igreja celebra Maria como a “Aeiparthenos” (pronuncie ” áeiparthénos”), “sempre virgem”.

A Igreja nos ensina, com Santo Agostinho, que Maria sempre foi Virgem: “antes do parto, no parto e depois do parto”.

Em outubro de 649, o Concílio do Latrão chegou a esta definição de fé:

“Seja condenado quem não professar, de acordo com os santos Padres, que Maria, mãe de Deus em sentido próprio e verdadeiro, permaneceu sempre santa, virgem e imaculada quando, em sentido próprio e verdadeiro, concebeu do Espírito Santo, sem o concurso do sêmen de homem, e deu à luz Aquele que é gerado por Deus Pai antes de todos os séculos, o Verbo de Deus, permanecendo inviolada a sua virgindade também depois do parto”.

Então, muito mais do que podemos pensar que seria algo impossível, devemos lembrar que a concepção do Filho de Deus foi algo além da intervenção humana, o próprio anjo Gabriel afirma a Maria que o Espírito Santo desceria e a envolveria e a partir dessa experiência sobrenatural, ela conceberia no seu ventre a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.
Na encíclica Redemptoris Mater, escrita pelo então papa João Paulo II, o santo Padre nos ensina: “Maria consente na escolha divina para se tornar, por obra do Espírito Santo, a Mãe do Filho de Deus. Pode-se dizer que este consentimento que ela dá à maternidade é fruto da doação total a Deus na virgindade. Maria aceitou a eleição para ser mãe do Filho de Deus, guiada pelo amor esponsal, o amor que consagra totalmente a Deus uma pessoa humana. Em virtude desse amor, Maria desejava estar sempre e em tudo ‘doada a Deus’, vivendo na virgindade. As palavras ‘Eis a serva do Senhor’ comprovam o fato de ela desde o princípio ter aceitado e entendido a própria maternidade como dom total de si, da sua pessoa, a serviço dos desígnios salvíficos do Altíssimo. E toda a participação materna na vida de Jesus Cristo, seu Filho, ela viveu-a até o fim de um modo correspondente à sua vocação para a virgindade.”
Também nos ensina o doutor angélico São Tomás de Aquino:

“Convinha que aquele que é Filho único de Deus (…), fosse virginalmente concebido ao se fazer carne; para que a natureza humana do Salvador fosse isenta do pecado original, ficava bem que não fosse formado como de ordinário pela via seminal, mas pela concepção virginal; nascendo segundo a carne de uma virgem, Cristo mostrava que seus membros deviam nascer segundo o espírito dessa Virgem, sua esposa espiritual, que é a Igreja. O nascimento virginal é de todo conveniente, pois o Verbo que é eternamente concebido e procede do Pai sem nenhuma corrupção deve, se ele se faz carne, nascer de uma mãe virgem, conservando-lhe sua virgindade; Aquele que vem para retirar toda a corrupção não deve, ao nascer, destruir a virgindade daquela que lhe deu à luz.” (TM, pp. 28-29)

São Cirilo de Alexandria dizia que assim como a luz atravessa de um lado para outro a vidraça sem quebrar-lhe, da mesma forma o Verbo pôde entrar e sair do ventre de sua Mãe sem lhe rasgar as paredes.
“Como por uma virgem desobediente foi o homem ferido, caiu e morreu, assim também, por meio de uma Virgem obediente à Palavra de Deus, o homem recobrou a vida. Era justo e necessário que Adão fosse restaurado em Cristo, e que Eva fosse restaurada em Maria, a fim de que uma Virgem, feita advogada de uma virgem, apagasse e abolisse por sua obediência virginal a desobediência de uma virgem.” (VtMM, p. 44), nos diz Santo Irineu a respeito da Virgem Maria.
Devemos acolher essa verdade de fé com gratidão ao sim da Virgem Maria, lembrando que todos os méritos a ela concedida é devido sua íntima missão com seu Filho bem amado, o Verbo de Deus, como costumamos dizer: “Todo mistério que envolve a Virgem Maria está inserido na Cristologia.”
Não há como relatar em poucas palavras o que toda a Igreja desde os primeiros séculos fala sobre a Santíssima Virgem, cabe a nós, em especial nesse mês, continuarmos proclamando a Sempre Virgem Maria.

Adriano Alves
Missionário Doce Mãe de Deus