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Rosana Lucena: “Minha principal cegueira era espiritual”

Foto: Arquivo pessoal de Rosana

Por muitos anos vi o meu inquieto coração procurar o seu lugar de repouso, aquele no qual poderia responder ao chamado que Deus o fizera desde muito jovem. Sabia que este caminho passava pela vida comunitária. Mas em qual comunidade? Qual carisma?

Embora conhecesse há muito tempo a Comunidade Doce Mãe de Deus (CDMD), dizia para todos que, se eu tinha uma certeza, era a de que Deus não me chamava a este carisma. Tola! Não imaginava o quão cega e enganada eu estava.

Perfeito, porém, é o Senhor que não se firma em nossas vãs convicções! Mesmo respeitando nossa liberdade, continua apontando o caminho até que encontre em nós uma pequena brecha pela qual possa entrar e guiar nossos passos ao centro da sua Vontade.

Foi o que aconteceu comigo. Em janeiro de 2013, muito cansada de buscar e, perdida em uma grande aridez, sem forças para dar qualquer passo, em uma missa, lembro de pedir a Deus para que me pegasse de volta. Disse a Ele que precisava abrir uma via onde não parecia haver.

Não tardou em ouvir o meu clamor e no dia 29 do mesmo mês fui visitada por algumas irmãs da Comunidade Doce Mãe de Deus – Missão Maceió, entre elas Cláudia Simone, que foi um instrumento de Deus para retirar as escamas que me impediam de ver. Por isso, costumo dizer que ela foi como Ananias em minha vida.

Os dias que se sucederam foram de renovação das forças e do ardor missionário. É claro que a voz de Deus se fez escutar; minhas convicções humanas caíram por terra. Engoli o meu orgulho e disse: Sim, Senhor! Estou aqui. Encontrei o meu lugar.

É isto mesmo, Deus abriu a via que, para mim, não existia: Comecei o caminho para a consagração na CDMD. “Conduzirei, então, os cegos pela mão e os levarei por um caminho nunca visto; hei de guiá-los por atalhos e veredas até então desconhecidos para eles” (Isa 42,16a).

Encantada com a ação de Deus que curara minha cegueira espiritual, seguia feliz o meu caminho formativo. Porém, ainda na fase do discipulado de 1º ano, passei pelo desafiador processo da perda total da minha visão física, como consequência de complicações de um glaucoma.

Deus é maravilhoso! Curou antes a visão espiritual para que, na escuridão da prova pela qual passaria, pudesse ver claramente a sua luz. “Diante deles mudarei em luz as trevas, farei planos os caminhos tortuosos” (Isa 42,16b).

E foi guiada por essa luz que, no dia 11 de agosto de 2015, vivi uma das noites mais iluminadas da minha vida: noite na qual, de forma livre e consciente, fiz minha consagração de vida na vocação Doce Mãe de Deus.

Hoje, caminhando para os dois anos de consagração neste dom, posso dizer que sou feliz onde estou. Que todos os dias sou guiada por esta luz, mesmo quando se faz noite em minha alma e, finalmente, que a pior cegueira é aquela que nos impede de enxergar a presença do Senhor e os seus cuidados em nossas vidas. “Tudo isso hei de fazer em seu favor, e jamais eu haverei de abandoná-los!” (Isa 42,16c).

Rosana Cavalcante Lucena 

Membro consagrada da Comunidade Doce Mãe de Deus